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terça-feira, 15 de abril de 2014

O MISTÉRIO DEPOIS DA MORTE de Paulo Konder Bornhausen.


O MISTÉRIO DEPOIS DA MORTE

Paulo Konder Bornhausen.



Nos corredores do INCOR, de onde venho de São Paulo, onde visitei meu irmão Jorge, assisti cenas que revelam as contradições da vida. Cenas contundentes e paradóxas.

No desfile de macas, dos enfermos, uns indo, outros voltando das cirurgias. Sorrisos e lágrimas de alegria, soluços e choros de tristeza dos acompanhantes ansiosos na sala de espera, junto aos quartos dos pacientes. Senti como estava certo Balsac; “que o homem se mostra muito forte quando confessa sua própria fraqueza”.

Já havia assistido um espetáculo deprimente das filas do SUS em que somente um dos andares do INCOR acolhe os clientes dos planos de saúde. Fiquei abalado e perplexo.

Nascemos, fomos criados, estudamos e ficamos sabedores de que tudo tem um começo, um meio e um fim.

Vivemos, a juventude, a média, a maior idade e pouco nos preparamos para o nosso inevitável, fatal, fim.

São tantos os problemas que enfrentamos, bem como os prazeres dos divertimentos. São tantas alegrias e tristezas que não há tempo para enxergarmos e nos preocuparmos com o fim, salvo a ocorrência de uma doença grave ou a perda de um ente querido. Ainda assim, logo nos esquecemos do inevitável fim. Mesmo crentes, católicos como eu, consciente de que ele existe, sobre ele só refletimos nos atos religiosos, alguns nas suas orações, mas não nos concentramos como deveríamos fazer. Talvez até seja pela vontade Divina de nos poupar, de um tormento permanente.

Somente os octogenários como hoje sou, quando Deus na sua infinita bondade prolongou nossas vidas por muito tempo é que não nos sai da mente a proximidade do fim e o nosso destino, o destino das nossas almas.

Não sei se foi o Criador que nos legou mais vida para que ainda aqui na terra pagássemos os nossos pecados, a verdade é que o fim, que chamamos de morte, está presente com constância nas nossas mentes, principalmente nos momentos de solidão que a idade nos impõe e ou por momentos como esses que acabo de presenciar.

Rezamos, pelo menos no meu caso, ainda sabendo, não o suficiente. Pedimos perdão pelos pecados cometidos, mas sempre lhe imploramos para retardar o nosso fim enquanto tivermos vigor mental e físico. E por que será este medo? Por que será temos essa fraqueza incontrolável? Simplesmente nossas limitações humanas, nos impedem de conhecer o depois do fim, o mistério do que vem depois da morte e aí chegamos a conclusão de que a vida é a maior graça que Deus nos concedeu e por ela devemos agradecer-lhe diariamente. Viver intensamente é a grande solução, enquanto Deus nos conceder essa graça, temos que aproveitar, pois com todos os seus percalços e soluços, ninguém deve desperdiçar um segundo desta maravilha que é a VIDA, já que a morte é inevitável. Por isso também me conformei, se tudo para nós seres humanos é incerto, por que devemos temer alguma coisa?

Deixar de pensar na morte é uma necessidade vital, e por isso mesmo até os enfermos de mente sã se agarram as tábuas de salvação, no mais revolto dos mares de suas vidas.

Viver neste caso é resistir o confronto com o mistério que jamais decifraremos.

Resta-nos a fé e para isso não devemos procurar compreender para acreditar, mas sim acreditar para compreender. Como dizia Mahatma Gandhi; “A vida é um mistério, que precisamos viver e não um problema para resolver”.

Deus decide e pronto.

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