Amor a vida.
Paulo Konder Bornhausen.
“Aquilo que os homens têm mais dificuldade em compreender, é a ignorância acerca deles mesmos!” Friedrich Nietzsche, filósofo alemão.
O tema que pretendo abordar, dentro das minhas reconhecidas limitações, é uma simbiose do titulo do artigo com o pensamento de Nietzsche. Falar da vida é falar da maior graça que Deus concede ao homem. As considerações que irei fazer, as opiniões que vou emitir, exigem explicações iniciais. A primeira delas é aquela que ouço muitas vezes na musica cantada pelo meu saudoso amigo, o seresteiro Silvio Caldas “já fui moço, já vivi a mocidade, se lembro dela, me dá saudade”, mesmo sendo uma verdade incontestável, não influencia os pensamentos que irei externar. A outra poderia ser interpretada como conceitos retrógrados de um velho “careta”, de mais de oitenta anos, alienado, desconhecedor da realidade do mundo de hoje, o que não é correto, porque quis Deus que eu chegasse a essa idade longeva com o privilégio de gozar da plena lucidez.
O que desejo de pronto afirmar, é o meu inconformismo com a falta de amor a vida que prevalece, ainda que em muitos, inconscientemente, da grande parte da juventude dos nossos dias. Dirão que a minha juventude foi vivida em um mundo diferente no que tange aos costumes de um modo geral, com a tecnologia insipiente, conquistas cientificas pouco relevantes, embora, sem esquecer que como hoje, haviam guerras, dramas, dificuldades de todas as ordens, acidentes, mortes imprevisíveis, mas, verdade também o é que a população sendo muito menor os riscos e tentações guardavam relação com o seu tamanho. Não havia o poder destruidor do uso das drogas, entendidas estas na acepção da palavra (maconha, cocaína, êxtase, crack e tantas outras) limitando-se ao uso do “lança perfume” no reinado do Momo, ainda que se deva reconhecer que já naquele tempo, como anteriormente, o homem, a juventude, pois é dela que estou escrevendo, fizesse uso do álcool e do fumo, que não deixam de ser considerados como drogas.
A grande diferença da minha geração para a atual geração é que existia no meu tempo uma lei que predominava, que era obedecida pela grande maioria, lei que não era obra nem do legislativo, nem do executivo, - o respeito. Respeito é o grande trunfo que o mundo moderno praticamente destruiu. O respeito era o grande limite da maioria das nossas ações.
Não me refiro a determinados costumes usuais daquela época, dos quais devo dizer de que nunca me envergonhei, embora até possa admitir que talvez fossem excessivos, tais como, beijar as mãos dos pais e avós, pedindo-lhes bênçãos. Já nem falo de que vivi num tempo em que o catolicismo era a religião de mais de 80% da população, as crianças aprendiam a rezar aos quatro ou cinco anos, faziam a primeira comunhão dos 9 aos 11 anos, eram crismados aos 15 anos, não faltando a Santa Missa aos domingos. Hoje essa situação, reconheço, é outra, não há como não concordar, ainda que muitos como eu, defendam esses hábitos antigos.
Não vem ao caso, o importante é constatar o desaparecimento deste sentimento fundamental, indispensável à sociedade; a falta de respeito, entre pessoas, autoridades, leis, sem falar aos hábitos e costumes sadios.
Quem são os culpados? Os pais, os professores, as autoridades em geral. A chamada relação “aberta” dos pais com os filhos e vice-versa está totalmente deteriorada e em nome da tal “modernidade”, se chamam de “caras”, estabelecendo uma nítida confusão dos sentimentos de amizade e de liberdade passando-se a identificar-se com a libertinagem. Os pais deveriam impor respeito, dar o exemplo, educar os filhos como amigos, mas com rigor indispensável, serem seus conselheiros permanentes, fazendo com isto o bem deles, ainda que os incomodem. Os professores por sua vez, deveriam exercer a função que lhes é pertinente, sem receio de represálias, educarem os seus alunos exigindo o respeito à disciplina, aos bons costumes e as leis. Por sua vez as autoridades constituídas, resguardar as leis. Não basta punir as transgressões ou os desvios legais, mas agir de maneira constante, preventivamente.
Vocês querem saber por que estou tratando deste assunto? Muito simples. Há pouco tempo, voltando de madrugada de uma das tais “festinhas” um neto meu se acidentou com seu carro. Quis Deus que nada sofresse. Prejuízos, apenas materiais. Porém, na mesma madrugada dois amigos pais, perdiam seus filhos, seus tesouros, jovens na casa dos vinte anos e um outro encontrava-se no hospital ao lado de seu filho, que ficara paraplégico, todos voltando dos famosos e quase diários “encontros” noturnos. Isso vem acontecendo todos os dias. Acidentes que levam a morte, mutilações, como se estivéssemos em plena guerra. E sabem por quê? Falta de rigor na educação. Falta de respeito ao próximo, falta enfim, de amor a vida. Esses jovens, na grande maioria das vezes fazem o “esquenta” (bebem, se alcoolizam) geralmente na casa de um deles antes de irem as “baladas” ou coisas parecidas, sob complacência dos seus responsáveis. Se “preparam” como afirmam com ufania para chegar aos encontros noturnos “no ponto”. O pior é que quando não chegam, pois muitos se acidentam antes, tem a sua disposição qualquer tipo de bebidas, estimulantes, drogas as mais variadas e já com o sol a pino, geralmente embriagados, irão dirigir seus carros ou motos, levando amigos, caronas menos abonados que com eles sofrerão os mesmos riscos.
Perguntarão, e a lei seca? Seus efeitos foram de prazo curto. Logo no inicio, houve certo temor pelas punições anunciadas, acompanhadas por uma vigilância mais ou menos rigorosa, por parte das autoridades. Depois, logo depois, como tudo que acontece no nosso país, o temor desapareceu por conta da impunidade que mais uma vez venceu a batalha.
A hora é de nos engajarmos todos numa campanha de amor a vida. A hora é dos pais caírem em si e tomarem uma atitude rigorosa, mais respeitosa, essa sim, amiga dos seus filhos. A hora é das autoridades agirem preventivamente, fazendo cumprir as leis, dando “incertas” nas tais “festinhas”, punindo os transgressores de modo exemplar. Fechando os estabelecimentos que não acatarem o cumprimento dos deveres que a lei os impõe, estabelecendo horário para início e fim das “festinhas públicas” que não poucas vezes são “orgias” disfarçadas. Agindo assim, estarão defendendo a sociedade como um todo e a vida dos seus filhos e netos.
O tema é inegavelmente, de suma importância, mas vou ficar por aqui citando Jean Paul Sartre, o grande filósofo francês; “Eu prefiro as pessoas que temem a morte dos outros. Isso prova que elas sabem viver.”
Por favor, ouçam este octogenário. Tenhamos todos, amor à vida, um bem incomparável que Deus nos presenteou. É uma vez só, lembre-se.





100% de razão. Abordagem que dispensa comentários.
ResponderExcluirQuanta lucidez... É isso aí. Assino em baixo.
ResponderExcluiradorei,e isso ai precisamos cuidar mais dos nossos filhos,e fazer com que o respeito seje a prioridade na educaçao,parabens pelo texto SR PAULO e de uma lucidez e clareza impressionante,como diz a garotada de hj to contigo falou e disse,bjs
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