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terça-feira, 21 de outubro de 2014

CEGUEIRA E IGNORÂNCIA POLÍTICA de PAULO KONDER BORNHAUSEN


CEGUEIRA E IGNORÂNCIA POLÍTICA
Razão tinha o poeta inglês Alfred Tenysson, ao afirmar que “Não há nada pior que aquele que enxerga e não vê, e aquele que lê como se não tivesse lido”. São cegos de oportunidade e os analfabetos de conveniência. Essa é a situação de uma imensa quantidade do eleitorado brasileiro. Poderiam alegar que se trata de uma posição radical de um velho apaixonado por sua opinião política. Porém, longe disso. A esta altura da minha longeva vida, tal atitude não me traz pessoalmente falando, qualquer proveito. Luto, e para tanto só disponho de duas armas, a palavra e o voto, é por um Brasil progressista, liberto da incompetência e da corrupção, como patriota e por não ter sido contaminado pelo mal do egoísmo, defender as futuras gerações. Comigo estão milhares de brasileiros que reclamam e querem corrigir os rumos desordenados do país, para que possamos como é o nosso desejo e dever, legar uma herança digna aos nossos descendentes.
É repugnante ver uma Presidente, grosseira e irresponsável, defender com estatísticas duvidosas o que teria feito, para compará-las com aquilo que fora feito há doze anos passados. Será que não lhe passa na mente, por certo doentia, que a arrecadação de hoje, os recursos que dispõe são infinitamente superiores aos de 12 anos atrás? Será que ela e seus desinformados seguidores, para ser gentil, desconhecem que tais recursos são contidos nos orçamentos aprovados pelo Congresso Nacional e dentro deles haverão de se comportar as despesas? O certo seria afirmar, senhora Presidente, “eles” fizeram 5 e nós fizemos 20, mas os recursos, dos impostos que agora arrecadamos, batendo recordes anuais, deveríamos fazer 50, e só não o fizemos, por incompetência e o roubo que praticamos aos cofres públicos. Essa é a verdade comprovada pela Justiça.
Como estamos hoje, senhora Presidente? Crescimento zero; decréscimo na produção e na exportação, com resultado pífio da balança comercial; fuga de capitais e de novos investimentos com a atual insegurança jurídica; inflação galopante, mesmo com os preços de energia e combustíveis reprimidos; dívidas de mais de 5 trilhões de reais; aumento de custeio (pessoal) de crescimento espantoso; benefícios sociais distribuídos aos milhares, só com os objetivos eleitoreiros; educação, saúde e segurança em caos completo; obras faraônicas inacabadas e superfaturadas. Essa é uma foto atual do Brasil em que vivemos.
Como vai a corrupção senhora Presidente? E seus apaixonados seguidores? Ela foi e é o ato continuo e diário, praticado em todos os níveis, nestes malfadados 12 anos de desgoverno do PT.
Bastaria fazer uma única pergunta para comprovar essa afirmação e dar-lhe a resposta.
Onde está o ex-Ministro e ex Presidente do PT, o ladrão (assim condenado pela Justiça) José Dirceu? Onde está o ex-tesoureiro do PT, o ladrão (assim condenado pela Justiça) Delúbio Soares? Onde está a banqueira do PT, a ladra (assim condenada pela Justiça) Presidente do Banco Rural? Onde está o Diretor da Petrobras por mais de 10 anos, o ladrão confesso Paulo Roberto, delator premiado? Onde está o ex-Líder do PT no Congresso Nacional, o ladrão (assim condenado pela Justiça) José Genuíno? TODOS PRESOS E CONDENADOS. Citei apenas alguns exemplos, pois seriam dezenas que não caberiam na foto. Esse é o governo, essa é a Presidenta Dilma e seus asseclas que agora, em cima das eleições, viraram paladinos do combate a corrupção. Sem vergonha, descarada. Ela sabe que tem que vencer a qualquer preço, porque fatalmente, este será o seu destino e de dezenas de Ministros e ex-Ministros, outros auxiliares do seu Governo, um bando de malfeitores.
É por isso que eu e milhões de brasileiros estamos lutando pela mudança, para retirar o Brasil deste “mar de lama”, limpa-lo e torná-lo digno de ser vivido pelos nossos descendentes.
Será que entenderam agora aqueles a que se referiu Alfred Tenysson?
Se quiserem mais de centenas de fotos semelhantes, poderei publicá-los, porém com nojo de tanta imundice.
Ontem o candidato Aécio no debate poderia ter consolidado a vitória, pois com a oportunidade de ser o ultimo a falar, deveria ter dito simplesmente; “Senhora Candidata, para ser Presidente da República não basta ser honesta, tem que cercar-se de auxiliares igualmente honestos e competentes. É necessário ter educação e compostura e não fazer afirmações como fez, de que faria o diabo para ser eleita, ou nem que a vaca tussa, tais afirmações humilham a Nação e envergonham os brasileiros”.
A Presidente, desnorteada, me fez lembrar meu professor de Direito Penal, Dr. Sobral Pinto “A cólera dos mentirosos os torna cegos e loucos, pois suas razões desaparecem”.
Deus salve o Brasil.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

E A PRIMAVERA CHEGOU! de Paulo Konder Bornhausen


         Hoje oficialmente termina o inverno e se inicia a Primavera. Convenhamos que o inverno para nós ilhéus, foi bastante “camarada”. Foram poucos os dias de frio intenso. O vento sul e as chuvas, foram escassos. Um inverno sóbrio e “morno”.

         A Primavera que hoje chegou, na realidade já veio antecipada há uns dez dias, com sol e temperaturas muito agradáveis, trazendo consigo os seus encantos característicos que tanto nos seduzem. Com ela vem o anúncio da proximidade do termino de mais um ano. Aqui começam as minhas tormentas, inacreditáveis, para quem tem a felicidade de chegar a minha idade. O tempo parece tomar uma velocidade irracional e o relógio fica descontrolado. Foi quando me veio a memória, a grande contradição com a minha “meninice”.

         Quanto tinha onze anos, por razões indiscutíveis, meu pai me colocou no Internato São José, no Alto da Boavista, na Tijuca, Rio de Janeiro, onde cursei os quatro anos do Ginasial. Tinha direito a uma única saída por mês, no período das aulas. Foi terrível. O tempo parou. O relógio não andava. Os dias pareciam intermináveis e os anos “seculares”.

         Livre do castigo, voltei para o Colégio Santo Inácio para cursar então o “Clássico”, já que desejava me formar em Direito. Uma vez mais o tempo fluía vagarosamente e parecia uma eternidade chegar aos dezoito anos, que imaginava necessários para ganhar autonomia e decidir sobre os meus namoros e noivados.

         Depois dessa fase, casado, o tempo passou não mais contar das minhas preocupações ou problemas. Com a vida resolvida e feliz, cheguei aos setenta anos, quando ainda eufórico festejei em Portugal. Percebi então, que o tempo começava a correr com mais velocidade e os dias, as horas, ficaram aparentemente mais curtos. Ainda assim com certa alegria celebrei os meus 80 anos com toda a família em Punta Del Este, onde passara minha lua de mel e dezenas de vezes havia frequentado. Daí para frente como diria o caboclo o tempo disparou, “avoou”.

         Comecei a meditar e me convenci de que nada poderia fazer contra o inevitável. Não há como combater uma realidade irreversível e incontrolável. Passei a não pensar, ou para ser mais verdadeiro, evitar de pensar no tempo, já em total disparada. Entreguei-me a Deus e me concentro quando das minhas orações diárias, na certeza de Ele saberá dirigir o tempo que desejar me conceder. Somente nessas horas costumo me lembrar da velocidade dos dias.

         Para o calendário e o relógio, fico atento apenas aos meus compromissos de trabalho, aos aniversários dos parentes e amigos, aos dias festivos e as “contas à pagar”.

         Por isso saúdo a Primavera e que ela traga muitas alegrias e felicidades, não só para mim, mas para os meus entes queridos, meus velhos amigos e os amigos virtuais. Que a saúde sejam as flores dessa estação, os sorrisos de felicidade se espalhem em nossos rostos e que Deus seja louvado cobrindo-nos com sua manta sagrada da compaixão.

         Bela e rica Primavera, seja muito bem vinda.

         Primavera onde a “Rosa” é a flor mais linda do jardim da vida, o gozo é o “Amor perfeito” e a “Camélia” que caiu do galho é o correr do tempo.

sábado, 6 de setembro de 2014

Cheguei ! 85 anos de amor a vida de Paulo Konder Bornhausen


Começo esse dia tao significativo para mim, com essa frase que embora não parecendo obedecer é o que corretamento penso, de autoria do dramaturgo Arthur Schnitzer, " não questione demais os anos vividos, e sem esquecê-los , pense sim o instante do qual se aproveita agora ".
Sou na realidade um amante da vida.
Como ela é bela, maravilhosa.
Fico as vezes a me perguntar, porque teria ela fim e de maneiras tão diferenciadas, as vezes tristes demais?! Mas minha fé  logo responde , que a sabedoria Divina , criadora dessa obra prima, desejou que assim fosse.
Nessas condições, me considero um grande privilegiado. Chegar aos 85 anos, com físico compatível com o desastre natural da longevidade, mas com a mente sã e a memória admirável para a idade.
Não fica por aí esse privilégio. Tenho minha família intriga, minha adorável mulher e companheira , meus dois filhos, meus cinco netos, os dois irmãos , cunhadas e cunhados, sobrinhos e sobrinhos netos, todos com vida.
Nesta longa caminhada , além dos meus pais, perdi uma inesquecível cunhada Rosi Lins, a primeira esposa de meu irmão Roberto.
Sem dúvida um milagre de Deus, que não fiz por merecer.
Já dizia o escritor argentino, José Luis Borges "  os anos não modificam a nossa essência desde que tenhamos uma ".  Eu tive a felicidade de preserva-la.
Nessa longa e sinuosa caminhada, não foram poucos os obstáculos que enfrentei,  muitos deles pareciam intransponíveis  e de toda a ordem, físicos , familiares, profissionais, políticos, que pude supera-los com minha inabalável fé e a ajuda indispensável de Deus.
Tudo que fui e sou, devo aos meus saudosos pais, Marieta e Irineu.
Estou hoje um velho feliz e como dizia George Gordon,  o  Lord Byron " Para  conhecer a alegria é preciso compartilhar.  A felicidade nasceu gêmea "
Pergunto-me, e agora ?  Respondo convicto, vou continuar com a mesma postura prosseguindo o meu caminho até onde Deus o der por determinar.
Onde a vitória e impossível não adianta combate-la.
Por isso tenho medo da morte, não dela em si , mais do mistério que vem depois dela, o destino da minh'alma. Confesso , me atormenta, ainda que não esteja presente, pois a vida seria insuportável, principalmente para um amante seu.
Nas minhas orações o que peço a Deus é que eu esteja preparado para recebê-la , perdoando meus erros e pecados, que poucos não foram e por sua bendita  compaixão me receba no Reino Eterno.
Para descontrair-me desta humana tormenta, busco o aconchego do lar , o trabalho ainda diário , alguns poucos lazeres, os eventos que tenho condições de participar , na leitura e nas orações, viver cada segundo precioso que ainda me restam dessa vida maravilhosa, com todos os percalços à ela inerentes.
Peço ao Senhor , que quando vier me buscar, esteja eu lúcido , sem ninguém a incomodar, deixando apenas as lágrimas de alguns, que o tempo seca momentaneamente e as saudades perenes daqueles que me querem bem.
Repito e dou ênfase , sou um privilegiado.
Amei e fui amado.
Conquistei mais vitórias do que derrotas. Preservei com vigor minha honradez.
Por isso mantenho minha fé e agradeço a Deus tudo que me deu e vier me conceder.
Com esse espírito, chego aos 85 anos. Um amante da vida.
Obrigado senhor , meu Pai todo Poderoso.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A FORÇA DO DESTINO E A VONTADE DE DEUS de Paulo konder Bornhausen



A FORÇA DO DESTINO E A VONTADE DE DEUS

Desastres aéreos que marcaram minha vida pública.

      O trágico desastre que roubou a vida do jovem homem público, Eduardo Campos, me fez voltar o pensamento para outros fatos que decorreram com acidentes aéreos e marcaram minha vida como homem público

         Estávamos em 1950, quando meu pai, Irineu Bornhausen, que em 1947 fora derrotado pelo Dr. Aderbal Ramos da Silva, candidatou-se uma vez mais a Governador. Desta feita enfrentando nas urnas o Sr. Celso Ramos. A campanha a época não tinha as sofisticações de hoje. Os votos eram cédulas impressas com o nome dos candidatos, as propagandas eram pintadas nos muros e pedras, os “santinhos” impressos em preto e branco, e não havia a TV. As duas rádios e jornais principais a “Diário da Manhã” de meu pai e a “Guarujá” do Dr. Aderbal, o jornal “Diário da Manhã” também de meu pai e o “Estado” igualmente do Dr. Aderbal. Eram, embora houvesse rádios e jornais no interior, os principais formadores de opinião. Os candidatos faziam comícios nos Municípios e Distritos, sempre muito concorridos. A figura do cabo eleitoral era profissionalizada, as claras.

         Não existiam, portanto, programas eleitorais gratuitos (que custam milhões de reais) nem a figura do marqueteiro (que custam outros milhões). Os deslocamentos dos candidatos eram quase sempre feitos por automóveis da categoria da época, que percorriam as estradas todas de barro, muitas vezes puxados a trator, quando atingidos por temporais. Era uma poeira constante nos dias de sol, insuportável. Os carros não tinham ar refrigerado, nem a segurança dos nossos dias e a aparelhagem eletrônica que hoje dispõem. Furar pneus era constante, como  era também a fervura do radiador, que obrigava as paradas contínuas para colocar água. Fora esse precário meio de transporte, não poucas vezes os candidatos andavam de carroças puxadas a cavalo. Avião, só monomotor, em que a hélice era virada pelas mãos dos mecânicos.

         Pois bem, para realizar seu último comício em Araranguá, Irineu utilizou o avião do Juiz Nilton Varela que ele mesmo pilotava. Na aterrissagem o avião ao bater na pista capotou e meu pai foi jogado para fora dele, que ficou todo destroçado. Felizmente, apenas duas costelas foram fraturadas. Escapou da morte e foi internado no Hospital de Caridade, onde se restabeleceu para tomar posse, pois foi vitorioso com margem sugestiva de votos. A hélice deste avião, que era de madeira, foi dada a ele como um relógio, pelo Varella e mais tarde consumida pelo incêndio que destruiu por completo sua casa em Cabeçudas, depois da sua morte.

         Outro desastre lastimável foi com um avião da Cruzeiro, em que faleceram o Senador Nereu Ramos, político notável, que chegou a Presidência da República, o então Governador Jorge Lacerda, talentoso, que eleito não completou mais que dois anos de Governo e o Deputado Leoberto Leal, provável candidato do PSD ao Governo do Estado em 1960, e tantas outras pessoas. A repercussão da tragédia alterou os rumos políticos do Estado, assumindo o cargo o Vice-Governador Heriberto Hulse, do qual fui Secretário de Justiça.

         Destes dois acidentes, um deles com vítimas fatais até hoje, marcaram minha passagem pela pública e foram descritos nos livros que escrevi.

         Outros tantos acidentes, sem maiores conseqüências, me ocorreram nas funções públicas que exerci. O mais grave dentre eles foi, quando por falta de teto nos aeroportos de Itajaí, Florianópolis e Porto Alegre, tive eu, com mais dois amigos já falecidos, os saudosos Helio Guerreiro e Laércio Gomes, fazer uma aterrissagem de emergência, pela falta de combustível, em um pasto em Imbituba, tendo o avião feito um “cavalo de pau”. Fomos socorridos por populares. Ninguém se machucou. Eu era na época Presidente da COBEC Cia Brasileira de Entrepostos Aduaneiros, formada por 60 Bancos que operavam em Cambio na época. A primeira “Trading Company” brasileira a operar na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. O piloto Calefe veio a falecer em outro desastre, em que tirou a vida do Secretário Dieter Schmidt no Governo Jorge Bornhausen.

         Na realidade em todo o Brasil nesses anos da nova Republica, ocorreram muitos acidentes aéreos, alguns com vítimas fatais. Neste período eleitoral, alguns foram causados pela “necessidade” dos candidatos de cumprirem seus programas pré-estabelecidos, correndo riscos demasiados.
                                                                                                                          PKB

segunda-feira, 21 de julho de 2014

SOU UM “PASSADISTA” CONFESSO de Paulo Konder Bornhausen


SOU UM “PASSADISTA” CONFESSO
Paulo Konder Bornhausen



            Se a imaginação é a primeira fonte da felicidade humana, como dizem os poetas, o passado é para mim, uma fonte inesgotável de felicidades vividas e nunca esquecidas.

            Ser um amante do passado, quando nos vem a lembrança os momentos, pessoas, que nos trouxeram alegrias e só deles devemos nos lembrar, não significa desconhecer a realidade do presente, nem os planos e sonhos do futuro.

            Esse tipo de “passadismo” nos fortalece, pois faz bem a nossa mente, nosso espírito e alimenta nosso coração e a nossa alma.

            Poucas vezes li melhor definição sobre o passado do que a que lhe deu Henry Botaille, dramaturgo francês, “O passado é um segundo coração que bate em nós”.

            É assim que vejo o passado, como minha amada mãe, em sua longa velhice, costumava dizer, religiosa como era, que além das orações permanentes, em horários que se determinou, via a televisão, lia com freqüência invejável e fazia “tricot”, agasalhos para os netos e bisnetos, encontrava a alegria de viver também, com as lembranças maravilhosas do seu passado, procurando esquecer aqueles momentos que foram difíceis ou indesejáveis. Quando alguém lembrava o passado na sua presença e era considerado retrógrado, principalmente os mais jovens, ela costumava dizer algo semelhante, ao que na sua imensa sabedoria, dizia Giovanni Verga, um escritor italiano “Os jovens têm a memória curta e os olhos para ver apenas o nascer do sol; para o poente olham apenas os velhos, aqueles que viram o ocaso tantas vezes".

            Sei que a vida se tornaria impossível se dela a gente relembrasse por inteira. Tudo está em saber o que devemos esquecer.

            Sou um passadista confesso. Boas lembranças alimentam o meu espírito e me dão forças para enfrentar altivo o presente, entregando a Deus o meu futuro.

            Na minha idade o meu passado é meu maior tesouro e o meu grande patrimônio.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

ERRAR OUTRA VEZ É INACEITÁVEL de Paulo Konder Bornhausen


ERRAR OUTRA VEZ É INACEITÁVEL

Paulo Konder Bornhausen

         A maioria do eleitorado brasileiro, digamos, equivocadamente, por três eleições consecutivas (duração de 12 anos) errou na escolha dos Presidentes da República e criou problemas de ordem administrativa e moral, que se agravam diariamente com reflexos negativos à quase toda população, salvo os beneficiários ligados a Presidência e ao Partido Político que pertence, o PT e seus aliados, de forma inaceitável, desonesta.
         Elegeram o Lula, que na crista da onda favorável do Plano Real, implantado pelo Presidente F.H.C e da situação externa favorável, que fez um primeiro mandato razoável, propiciando sua reeleição. Já no seu segundo mandato, escancarou-se a porta da corrupção, que se alastrou na maioria dos setores da sua administração, ainda assim, embora já atingido por uma crise internacional, segundo ele anunciava ser uma pequena “marola” e graças as “bondades sociais”, que seriam válidas, se não fossem sua indiscriminada distribuição, feitas sem critério e fiscalização, com objetivos exclusivamente eleitoreiros, conseguiu iludir a maioria do eleitorado, usando a máquina do poder sem pudor e com uma farta publicidade enganosa, elegendo sua sucessora Dilma Roussef. Esta por sua vez, com conhecimentos administrativos pontuais, marcou seu mandato com o lema da “corrupção e impunidade”. Aí está o resultado. Viu-se a Justiça, no dever de condenar e levar a prisão, ex- ministros, ex-dirigentes do PT, e ex-deputados deste partido e dos seus aliados, ainda que de forma complacente, diante do assalto que fizeram aos cofres públicos. Os escândalos tornaram-se diários ou semanais, apesar do resultado e conseqüências do Mensalão. Com uma repetitiva e enganosa publicidade, com a Copa do Mundo, edificou, momentaneamente, um esconderijo das falcatruas praticadas de forma generalizada nos órgãos públicos e nas empresas estatais. Implantou uma política econômica lastreada no aumento do consumo, que resultou no endividamento da maioria das famílias brasileiras; a volta da inflação crescente; a elevação de juros, hoje os maiores do mundo; além do desenfreado aumento das “bondades” distribuídas visando exclusivamente a reeleição.
         A própria Copa do Mundo, realizou com a construção de obras monumentais super-faturadas, onde foram gastos bilhões de reais, para fazer o “caixa” de sua campanha eleitoral, em detrimento das necessidades básicas para o povo, como a saúde, educação, segurança, saneamento básico e estradas, só para citar as que julgo prioritárias. Terminada a Copa, o povo, que pagará todos esses desatinos desonestos, vai ter que arcar com o aumento da energia, combustível e novos impostos, os dois primeiros represados para não aumentar os índices de inflação, que mesmo camuflados, já ultrapassam os limites das metas estipuladas.
         Enfim, vivemos o caos.
         Em outubro temos as novas eleições presidenciais e teremos de decidir se queremos ir de “ladeira abaixo”, nos afundando no “lamaçal” que vivemos, ou escolhemos o caminho da “faxina” à corrupção e impunidade com o soerguimento moral da Nação, propiciando no caso, um Brasil que sonhamos e não vivemos, mas podemos reconstruí-lo para que as futuras gerações possam usufruir de maneira digna e honrosa. Já dizia Rainer Maria Rilker, poeta Tcheco, “Não podemos ficar só protestando, é preciso fazer alguma coisa quando o medo nos assalta”.
         Temos nossas armas para alcançar os objetivos de criarmos o Brasil, feliz, progressista, onde prevaleça a verdadeira justiça social, banindo toda a corrupção e impunidade, que são os nossos votos.
         Errar outra vez não é só “burrice”, é falta de patriotismo, um suicídio coletivo, levando o país a beira de um golpe de Estado e quiçás, a uma guerra civil.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Acorda Brasil de Paulo Konder Bornhausen


A festa acabou , o porre passou , e agora ?

Não há como deixar de reconhecer que foi uma grande festa. Os pequenos senões não lhe tiraram o brilho. A demonstração  de patriotismo foi comovente e nós fizeram orgulhosos em todo o país e além das fronteiras.
O  policiamento e segurança foram elogiáveis. A verdade é que foi um espetáculo extraordinário que levará mais de uma geração para poder ser repetido, tendo o Brasil como palco. Poucos a verão outra vez , pois 64 anos para realizarmos o de agora.  Digo poucos, pois tive o privilégio de com 21 anos assistir no velho Maracanã, na época o maior estádio do mundo, com mais de duzentos mil espectadores a nossa fatídica derrota para o Uruguai em 1950, depois de uma campanha memorável. Tínhamos uma grande equipe .
Desta feita o vexame foi total e não cabe explicações , já que o time chegou a semi-final , depois de ter ganho e empatado " com as calças nas mãos "  com Neymar e todos que voltam para  os seus clubes na Europa , onde ganham milhões de reais cada um.
Agora  com a nossa eliminação os festejos praticamente terminaram de maneira melancólica. Vamos cada um olhar no espelho é como acontece depois de festas prolongadas, damos conta das suas consequências em nossos rostos, marcados pelo cansaço ou " ressaca".
É o Brasil se achando no espelho.
A hora é de cair na real e perguntar, e agora?
Começamos pela economia familiar, muitas delas afetadas pela paralisação  quase total do país, nestes trinta e um dias de Copa do Mundo. Famílias que já estavam em grande parte endividadas, com as " bondades " do governo com uma política de consumo totalmente equivocada.
No conjunto, os reflexos da copa para economia brasileira foram negativos e não foram nem de longe, compensados pela vinda dos turistas que na grande maioria acampados e sem entrada para os jogos, poucos gastaram.
Começam aqui as nossas perguntas e afirmacões.
Não há como negar que a modernização  dos Aeroportos, que a Copa impôs ao governo nos beneficiou, sem entrar na discussão de dinheiro gasto, superfaturado e possíveis acidentes  por conta do apressamento para cumprir os prazos estabelecidos.
E os estágios e as demais obras de infra-estrutura em que também foram empregados milhões de reais , do dinheiro que recolhemos com impostos , os mais elevados do mundo, o que será feito por exemplo com os monumentais estágios de Cuiabá , Natal e Manaus, onde o futebol local é incipiente?
Transforma-los em museus ? Talvez de cera com a reprodução de cada herói e do técnico dos 7X1 ? Em  presídios ?  Uma boa ideia para abrigar milhões de condenados que vivem " as soltas " por excesso de    
lotações dos atuais , cujos habitantes são tratados como suínos espremidos no chiqueiro?
Em escolas, inclusive técnicas para que usuários dos 50 milhões de Bolsas Famílias cumpram os objetivos para os quais foram distribuídas, sem critérios , nem fiscalização , só com objetivos eleitorais?
E as demais obras de infra- estrutura , também erguidas sem fiscalização , onde nosso dinheiro foi gasto em cascata, feitas as pressas, terão o mesmo destino do viaduto que tombou em Belo Horizonte ?
As ladroeiras da Petrobras, Eletrobrás, BNDS, Correios, serão esquecidos ou terão o destino do Mensalão em que os condenados pelo Supremo, estão sendo privilegiados por uma justiça desmoralizada?
Vamos elevar novamente os mais altos níveis dos juros do mundo com a inflação , crescente e descontrolada ?
O que faremos com o nosso crescimento pífio e a indústria decrescente ?  Como atrair investimentos com a nossa total insegurança jurídica ? Como ficarão a nossa saúde , educação e segurança em estado precário e lastimável ?
Somos o país que terá o menor crescimento entre os países em desenvolvimento, campeões de impostos e juros, e enganados pela palavra repetitiva e falsa da Presidenta Dilma e seus asseclas.
Brasileiros, vamos acordar, temos dois meses para fazermos um exame de consciência, e dirigirmos todo esse nosso patriotismo que demonstramos na Copa e verificarmos que temos que fazer uma mudança radical. Estamos vivendo num país, desigual injusto , decadente, governado por incapazes e criminosos, cujo lema é "corrupção e impunidade". Vamos mergulhar nesse lodo ainda mais, com os já anunciados aumentos de combustíveis, energia e novos impostos.
Está na hora de acordar, varrer essa corja do poder e buscar reconstruir a nossa pátria , para termos o Brasil que minha geração sonhou e, não conseguiu ver, mas com o nosso voto poderemos legar aos nossos descendentes. Os 7X1 não significam nada a não ser uma frustração momentânea.
É nosso dever convocar os brasileiros para as mudanças para termos um Brasil , igualitário , onde prevaleça a justiça para todos , um país feliz e progressista.
Acorda Brasil, agora é a nossa vez de cumprir o dever de casa e alegrar essas crianças, que foram os que mais sofreram, pois iludidos por uma vultuosa e enganosa campanha , que o Governo gastando bilhões, os ludibriou.
ACORDA BRASIL !



segunda-feira, 30 de junho de 2014

PKB suas poesias e meditaçoes!


 De Paulo Konder Bornhausen - PKB
GRATIDÃO , SENTIMENTO RARO .
Se todo o nosso conhecimento , tem início nos nossos sentimentos, as pessoas insensíveis são desprezíveis. 
Para mim , o sentimento mais raro e importante depois do amor , é a gratidão.
Na minha idade não há lugar em meu coração , para manter ou criar inimizades . Pois entendo que a soberba perdoa e humildade não se vinga. Nesta altura da vida, procuro fazer o bem , amar ,perdoar possíveis desafetos , pensar somente em Deus e rezar pelo destino que me julgar .É tudo o que considero fundamental. À Deus peço que me dê forças física e mental até momento que me conceder a vida . Enquanto isso graças a Ele ,me dedico ao trabalho , alguns lazeres, a minha família e aos meus amigos . Tudo que faço me empenho em fazê-lo com muita dedicação e muito amor . Mas devo confessar , que uma coisa fere meu coração e tortura minh' alma , a ingratidão .Isso não significa , por tudo que aprendi nessa minha longa vida, que esboce qualquer reação , a não ser o esquecimento, o desprezo , como nunca tivesse existido .Penso, penso apenas comigo mesmo, no que dizia o ensaísta inglês , Samuel Jonhson - " A gratidão é um fruto de grande cultura, você não encontrará entre gente vulgar ". A ingratidão é como aquilo que não se espera que aconteça e no entanto acontece com mais freqüência do que o que se espera . Prefiro morrer grato à Deus , aos meus entes queridos , aos meus amigos, esquecendo , simplesmente esquecendo, quem deva ser esquecido, lição que recebi dos meus país e que seguirei até o meu fim !




AMIZADE --
Para que possamos considerar uma pessoa como amiga ou amigo, une-se uma simpatia muito pessoal , com a consciente aceitação recíproca das virtudes e defeitos de cada um . Amigo legítimo é mais um irmão que incorporamos a nossa família. Por esta razão , o valor da amizade é grandioso, pois cada amigo que adotamos no decorrer de nossas vidas , nos aperfeiçoa e nos enriquece , não tanto pelo que nos dá , quanto pelo que revela de nós mesmos . A amizade é um bem de valor inestimável , de tal ordem , tanto que levou , Eugenie Guerim , conceituado escritor francês ao exagero , conclamando ---- " Os poetas e os verdadeiros amigos são imortais" . O princípio que deve ser atentamente observado é saber bem distinguir , o amigo do conhecido , essa limitação a definição da amizade é importante , pois todos somos sabedores que é comum o juízo humano se enganar. No meu modesto entender , numa avaliação dos excelentes e queridos amigos que tenho , considero que a amizade de certo modo se assemelha ao amor, pois o bons amigos de doam reciprocamente. Assim a amizade se solidifica ou se esvai na medida da solidariedade das partes. Tenho para mim que a amizade pode ser indissolúvel até o momento que temos certeza e acreditamos na sua existência. A amizade , é a verdadeira bondade que pressupõe a capacidade de sentir os sofrimentos e as alegrias dos outros. Kafka no sua incomparável sabedoria afirmou -" Comparo a amizade a uma jardinagem bem sucedida . É uma questão de gosto e conhecimento ". Restou- me definir sobre o conceito , fruto da modernidade tecnológica , a amizade virtual. Ela é como um jogo , que podemos acertar ou errar , que depende fundamentalmente da astúcia e da sensibilidade de quem aceitou o pedido de amizade .

terça-feira, 24 de junho de 2014

SUCESSO de Paulo Konder Bornhausen



SUCESSO

Paulo Konder Bornhausen



         Vou procurar sintetizar de que forma entendo o Sucesso.



         Sucesso – é uma palavra emblemática, um sentimento ou um bem invisível, difícil de decifrar, de estabelecer seus limites, porque são episódicos, ainda que possam em alguns casos se perpetuarem. Por isso que vou me ater ao sucesso ideal, refletindo com parte minha experiência pessoal, porque ele pode ser avaliado pelos mais diversos ângulos, examinando como sucesso de uma vida.

         Sucesso – se inicia com o nascimento da criança saudável, fruto de um amor ardente e estável.

         Sucesso – é ter uma infância normal, feliz, em que se faça presente a boa educação de pais e professores, base da formação do caráter da pessoa.

         Sucesso – é ter uma juventude alegre, livre da perniciosa tendência aos exageros e principalmente a sorte ou sabedoria de escolher os amigos, sem os desvios maléficos que hoje macula a vida de tantos jovens.

         Sucesso – é na maturidade, fase de um novo momento da vida, já consolidada pela infância e a juventude sadias, encontrar o amor, que será e esta deve ser a aspiração fundamental, para alcançar o maior bem que desejamos, o caminho da felicidade.

         Sucesso – é poder constituir uma família em bases solidas, unida exemplarmente.

         Sucesso – é saber enfrentar os múltiplos tropeços que nos levam ao chão, cujo destino ninguém escapa, saber se levantar e prosseguir a caminhada.

         Sucesso – é suportar as dores do sofrimento e ter forças para em todas as ocasiões que aparecerem, enxugar as lágrimas com a fé inabalável.

         Sucesso – é ter êxito profissional, conquistado com o trabalho árduo e honesto que alegra o espírito e fortalece a nossa alma, independentemente do maior ou do menor resultado obtido.

         Sucesso – é pela bondade de Deus chegar a velhice, com a sensação do dever cumprido, aceita-la, entende-la e obtê-la com a mente sã e físico compatível com a idade alcançada.

         Sucesso – é morrer, sem aos seus, causar mais do que a dor do desaparecimento, as lágrimas do momento e a saudade nos corações dos entes que amamos e nos amaram.

         Sucesso – é este o maior de todos, é merecer de Deus o seu perdão e perdoado, ser aceito no seu eterno Reino.



         Estas são, em linhas gerais, o sucesso ideal que não implica nas posições de destaque, por ventura ocupadas, nem se baseia em riqueza material ou cultural conquistadas, é o Sucesso de ter sido feliz apesar das restrições que a vida, ainda que maravilhosa, nos impõe.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

BEIJA FLOR de Paulo Konder Bornhausen


                BEIJA FLOR

           

           Paulo Konder Bornhausen

                                                     

                                                     

                                                             Eu tive um sonho lindo

                                                                 Acordei sorrindo

                                                     Todos sabem que não tenho emoção

                                                     Mas respeito aqueles que no coração

                                                     Tem os seus animais de estimação

                                                                 Eu adoro e aprecio

                                                     Tenho especial carinho pelo passarinho

                                                                Aquele que voa altaneiro

                                                                  Fora do cativeiro

                                                         Como que buscando de verdade

                                                                 A legítima liberdade

                                                                 Sonhei com o amor

                                                         Pois sonhei com um Beija Flor

                                                         Aquela beleza natural, admirável

                                                            Que cheirando se alimenta

                                                              Sempre beijando a flor

                                                        Traduzindo o mais puro e belo amor

                                                                       Confesso

                                                          Que se Deus não me tivesse feito

                                                                    Um homem vivido

                                                               Eu que acho que na vida

                                                               O maior tesouro é o amor

                                                       Seria feliz beijando, cheirando, amando

                                                              Ter nascido um Beija Flor.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Fatos marcantes até os meus 15 anos – 1945 de Paulo Konder Bornhausen


Fatos marcantes até os meus 15 anos – 1945
                                         Paulo Konder Bornhausen

         É evidente que não irei descrever sobre assuntos pessoais da minha infância, vou contar-lhes apenas fatos que vi e convivi até os meus quinze anos de idade, que tem relevância ou curiosidade para a maioria dos meus amigos, que provavelmente não haviam sequer nascido. Não se trata de “passadismo” inconseqüente, mas de fatos passados que são patrimônio marcante da minha memória, que devo preservar e resolvi revelar-los.
         Vou enumerá-los, sem preocupação de ordem cronológica:
        
         Viagem no Navio Carl Hoepcke
         Viagem feita no navio Carl Hoepcke de Itajaí ao Rio de Janeiro. Uma aventura de cinco dias (estava acompanhado do Sr. Nestor Scheifler, sócio de meu pai numa empresa de despachos aduaneiros; a Bornhausen & Cia e do meu primo, o ex Governador Dr. Antonio Carlos Konder Reis, que tinha dezesseis anos) Esta epopéia se iniciou em Itajaí com paradas para abastecer e pegar novos passageiros em São Francisco, Paranaguá, Santos, Angra dos Reis, sucessivamente, antes de chegar ao Porto da Praça Mauá no Rio de Janeiro. Eu e o Antonio Carlos, chegamos em estado precário de tanto que enjoamos a bordo.
         Zepelim
         Assisti a passagem, pelos céus de Itajaí no jardim do Solar dos Konder, do primeiro ZeppelimHindenburg, a mais nova descoberta naquele momento, no setor de aviação que se supunha viesse concorrer com os aviões pequenos e hidroaviões.
        
         Patinação no Gelo
         Tive o prazer de ver uma novidade no país, a primeira pista de gelo artificial do Brasil, no Cassino da Urca, onde com meus pais, assistimos o show da maior patinadora do mundo na época, Sonja Heine. Um espetáculo inesquecível.
         Desastre Aéreo
         Tive a infelicidade, por enorme coincidência, assistir um dos maiores desastres da aviação brasileira. No percurso da Avenida Luis Alves, que contorna o Bairro da Urca, tinha saído para caminhar com a minha prima Iolanda Fleischmann Mendonça, avenida esta cercada por um muro de um metro de altura chamado de “Muro dos Namorados”, escorado por um molhe de pedras nas quais pescava goiás, chamados no Rio, de Guaiamus. Logo que chegamos, vimos levantar vôo no Aéro-Club do Rio, próximo a Sede Social do Iate Club, na Praia Vermelha, um Cessna monomotor. Acompanhávamos o seu vôo, no momento em que chegava um Constellation da Panair do Brasil, em preparativos para aterrissar no Aeroporto de Santos Dumont. Vimos o Cessna (Teco-Teco) se aproximar da Aeronave, e ainda comentei com Iolanda (conhecida por Landi); “Landi, eles acabam se chocando.” Não passou de um minuto, e deu-se o choque, com a queda dos dois aviões em destroços em plena Baía Guanabara. Sem sobreviventes. Ficamos mudos, aterrorizados.
         Bairro da Urca
         Um bairro de menos de 300 residências, inclusive uns cinco prédios de quatro andares, que era o gabarito permitido. Lá morei 21 anos (Otávio Correio, nº 289) fui vizinho de pessoas que vocês já ouviram falar e com elas tinha contatos variados. No meio artístico, por causa da proximidade do Cassino da Urca; Carmem Miranda (primeira atriz brasileira a ingressar em Hollywood), as irmãs cantoras, Aurora e Marília Miranda, o nosso famoso Grande Otelo, a dupla sertaneja Alvarenga e Ranchinho, John Herbert e Eva Wilma (eram casados) Jardel Filho, Dalva Oliveira e Herivelto Martins, artistas de cinema, de teatro e mais tarde da TV. O Nelson Gonçalves, que conheci como boxer peso pena e depois foi um grande cantor, iria se tornar meu particular amigo. O Seresteiro Silvio Caldas, que quando universitário, foi meu companheiro de boemia. Entre gente famosa, o Ministro Waldemar Falcão, Ministro de Educação do Getúlio, o Dr. Aramys de Athayde que viria ser Ministro da Saúde, na queda da Ditadura, no Governo Café Filho, o político e industrial catarinense Alvaro Catão, o jornalista, mais tarde Deputado, Amaral Neto, o também famoso jornalista Helio Fernandes da “Tribuna Imprensa”, jornal mais virulento da oposição a Ditadura Getulista. O sr. Pedro Ragio (sócio de Antonio Joaquim Peixoto de Castro) a época concessionário da Loteria Federal. O famoso Juiz de futebol Mário Viana, o grande jogador de basket Evora do Flamengo, os jogadores de futebol do Botafogo, os irmãos Paulo e Digo Tovar, Otávio e Carvalho Leite, e uma lista cansativa de outros nomes, de que de uma forma ou de outra fazem parte da nossa história.
         Barra da Tijuca
         Era um deserto com apenas casas de pescadores e algumas poucas casas de alvenaria. Saía para pescar siri com um vizinho, médico do Corpo de Bombeiros, Dr. Leão e para chegar lá, depois da estrada do Joá, tínhamos que atravessar de balsa. Hoje a Barra da Tijuca é uma verdadeira cidade, que os cariocas sempre jocosos chamam de “nossa Dubai”.
         Carlos Lacerda
         Meu primeiro contato com Carlos Lacerda foi, em uma palestra no Colégio Santo Inácio, no qual estudava. Foi tão brilhante e de uma oratória incomum, que levou a me apresentar para cumprimentá-lo. Mais tarde, se tornou meu ídolo político, do qual viria em 1947, participar da sua campanha a Vereador. Tornou-se meu grande amigo e companheiro e o considero o Ruy Barbosa da Nova República. Rompi meu relacionamento, quando formou a “Frente Ampla” com o Juscelino e o Jango.
         Forças Expedicionárias Brasileiras
         Um fato que muito me marcou foi minha ida ao Cais Porto, na Praça de Mauá, à chegada das Forças Expedicionárias Brasileiras que participaram da 2º Guerra Mundial e que teve a acolhida de milhares de brasileiros, sob intensa vibração e fizeram um desfile emocionante. Por coincidência, na semana posterior, o Jockey Club Brasileiro em sua homenagem incluiu na sua programação semanal, o Grande Prêmio Forças Expedicionárias Brasileiras, que foi ganho por um cavalo, de propriedade de meu pai Irineu Bornhausen. O cavalo chamava-se Piccadily (filho de Picapleitos e Marble) criado pelo gaucho Breno Caldas (Dono do Correio do Povo e do Haras Arado). Foi pilotado pelo jóquei chileno Augustin Guttierres e o tratador era o também gaucho Alexandre Correa. Eu já entendia de tudo do Turf, pois meu pai me levara ao Hipódromo, pela primeira vez, aos oito anos.
         Ditador Getúlio Vargas
         Presenciei os indícios da queda da Ditadura Vargas. Era praxe no dia 7 de Setembro, o Presidente da Republica desfilar de carro aberto na pista de grama do Hipódromo da Gávea, para assistir o Grande Prêmio em sua homenagem. Estava no Hipódromo com meu pai, ansioso pela entrada do Ditador. Naquele tempo, o Turf atraia multidões, pois a não ser a Loteria Federal, não haviam outras espécies de jogos legais no país, fora os Cassinos da Urca e o Atlântico. As quatro Tribunas, Popular, Especial, Social e dos Profissionais se encontravam superlotadas. Quando o carro aberto adentrou na pista de grama e iniciou a caminhada, já no começo da Tribuna Popular iniciou-se uma vaia que foi se tornando “estrondosa” até o desembarque na Tribuna Social. Quando Getulio subia as escadarias, para ascender a Tribuna de Honra, o tumulto foi generalizado. Cercado pelo chefe de seus “capangas”, o negro Gregório, conseguiu chegar a Tribuna de Honra e no que apareceu abanando para a multidão, as vaias chegaram a tal ponto que ele não pode assistir o Grande Prêmio em sua homenagem e retirou-se pela porta de entrada da Tribuna Social debaixo de apupos e gritaria generalizados. Era o sinal da queda da Ditadura. O que por certo acontecerá se a Presidente Dilma tiver a coragem de assistir a inauguração da Copa do Mundo.
    
     Seriam muitos outros episódios, e o conhecimento de muita gente e fatos históricos que poderia enumerá-los, se não fossem exaustivos e por isso fiz uma seleção, uma síntese de acontecimentos notórios, dos meus primeiros quinze anos, que a minha velha memória me permitiu.
     Depois disto, estou vivendo há mais 70 anos. Então, imaginem o que vivi, assisti e convivi neste longo tempo de existência, sobre os quais escrevi quatro livros “Retrato Político de Uma Época” (1947 a 1960) e “Retrato Político de Uma Época” (1960 a 1982), “Pesquisas e Arquivos Políticos do PKB” e “Banco do Brasil dos Meus Tempos” que trazem uma pequena parcela destes meus outros setenta anos, que com graça a benesse Divina vivo. Apesar disso, diante dos acontecimentos do Brasil e do Mundo nos dias de hoje, estou convencido que na realidade, acredito que vou morrer e “não vi nada, absolutamente nada”.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

PAULO KONDER BORNHAUSEN


CURRICULUM VITAE
PAULO KONDER BORNHAUSEN

                         Do nascimento no Rio de Janeiro a 06 de setembro de 1929 percorreu um longo caminho e preencheu um valioso currículo, onde estão evidenciados os múltiplos interesses de um homem afinado com seu tempo. Primeiro a família. Filho de Irineu, empresário, duas vezes eleito Prefeito de Itajaí, Governador eleito de Santa Catarina em 1950, Senador da República de 1958 a 1966 e Marieta Konder Bornhausen. É casado desde 4 de fevereiro de 1954 com Ivete Theresinha Dalcanale Bornhausen, e tem dois filhos, Ricardo e Patrícia, cinco netos, Eduardo, Daniel, Fernando, Olívia e André.

                   Seus dois irmãos, são Roberto Konder Bornhausen, que foi Diretor do Banco Industria e Comércio de Santa Catarina S/A – INCO; Diretor, Vice-Presidente e Presidente do Unibanco e Presidente da Febraban; Jorge Konder Bornhausen, ex Vice-Governador de Santa Catarina; Presidente do BESC; Governador de Santa Catarina; Senador eleito em 1982-1990; Ministro da Educação no Governo Sarney; Ministro da Casa Civil no Governo Color; Embaixador do Brasil em Portugal no Governo Fernando Henrique Cardoso; Senador eleito em 1998, 14 anos Presidente Nacional do PFL , dos Democratas e agora sem filiação partidária.

                   Paulo Konder Bornhausen fez seus estudos primários no Colégio Cristo Redentor, emoldurado pela bela paisagem da Urca, e dali transferiu-se para o curso ginasial do Colégio e Internato São José, dos irmãos maristas, na Tijuca, completando seus estudos no tradicional Colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas em Botafogo.

                   Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), em sua terra natal, passando a exercer a advocacia no Rio – trabalhou na Cobast, empresa holding detentora do capital da Light – e depois em 1953 em Joinville/SC; com escritório próprio de advocacia com seu colega de turma Plínio Bueno. A vida pública veio como uma seqüência natural. Eleito deputado estadual em 1954, dois anos depois ascendeu à Presidência da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Na condição de Presidente do Legislativo, foi Vice-Governador do Estado até a eleição do Vice-Governador Heriberto Hülse, tendo exercido ainda Vice-Presidência das Comissões de Constituição e Justiça e de Educação. Foi Vice-Presidente do I Congresso de Assembléias Legislativas, realizado em São Paulo, em 1956.

                   Amigo pessoal do saudoso e inesquecível homem público Carlos Lacerda, por sua interferência adquiriu do Senador Mario Martins pai do ex-ministro Franklin Martins o titulo do jornal “A Resistência”, editando-o em Florianópolis, do qual se tornou diretor. Neste mesmo ano, liderou a UDN (União Democrática Nacional) na Assembléia. No governo de Heriberto Hülse, ocupou o cargo de Secretário do Interior e Justiça de Santa Catarina em 1958. Voltou a Advocacia e tornou-se empresário, Sócio-Diretor das máquinas Raimann S.A. em Joinville e da Carbonífera Treviso S.A., no atual município de Treviso. Foi sócio concessionário da Ford em Lages e da Volksvagen em Itajaí, Blumenau e na Dipronal Ford de Florianópolis. Sócio da firma de aparelhos eletrodomésticos, Pimpa Representações Ltda. em Itajaí e da Macoita Ltda. também em Itajaí, de material de construções. Em 1960 foi candidato a Prefeito de Joinville, tendo recebido 49,52% dos votos do eleitorado, perdendo as eleições na apuração das três últimas urnas. Jânio Quadros nomeou-o para a Presidência do Instituto Nacional do Pinho, atual Ibama, em 1961, cargo que ocupou até a renúncia do Presidente da República. Durante aquele período participou, como Vice-presidente, da Missão Comercial que foi a Cuba e da Missão Econômica Brasil-Itália, entregando o cargo no dia do seu regresso, face a renuncia de Jânio, ao já Ministro de Industria e Comercio, Ulisses Guimarães.

                   No governo Castelo Branco, recebeu em 1964 a missão de dirigir a Carteira de Crédito Geral do Banco do Brasil – 3ª Zona, com jurisdição sobre os Estados do Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, sendo reconduzido ao posto em abril de 1968. Em janeiro de 1969, foi designado para a Carteira de Crédito Geral e Crédito Industrial – 3ª. Região, abrangendo os Estados da Guanabara, Rio de Janeiro, Espírito Santo e as agências do banco no exterior. Reconduzido, em 1972, para um período de mais quatro anos, renunciou ao cargo no dia 12 de agosto do mesmo ano por discordar da transferência de sua Carteira para Brasília.

                   Foi responsável pela construção de mais de 15 agências do Banco do Brasil em Santa Catarina onde implantou outras dez novas agências. Na Cobec construiu o Entreposto aduaneiro de Itajaí e foi grande estimulador das exportações do Estado.

                   De 1964 a 1972, representou o Banco do Brasil no Gerca, no Grupo Executivo da Indústria do Livro, no Conselho Consultivo da Indústria Siderúrgica, no Conselho Consultivo das Empresas Siderúrgicas Estatais, e no Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca. No mesmo período, participou como “adviser” da delegação brasileira junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na reunião realizada em setembro de 1971 em Washington, sendo ainda designado membro do Conselho de Representação do Projeto Rondon e do Conselho Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro.

                   Como diretor das agências do Banco do Brasil no exterior, foi responsável pela abertura das agências de Hamburgo, Londres, Tóquio, Paris, Lisboa, São Francisco da Califórnia, Panamá e pelo escritório no México.

                   Paulo Konder Bornhausen é cidadão Honorário das cidades de Bom Jesus, Taquara, São Leopoldo e Caxias, no Rio Grande do Sul; Londrina, Nova Esperança, Pato Branco, Medianeira e União da Vitória, no Paraná; São Miguel Do Oeste, São Lourenço do Oeste, Chapecó, Xanxere, Brusque, Joaçaba, Concórdia, Caçador, Porto União, Canoinhas, São Bento, Timbó, Ibirima, Araranguá, Tubarão, Braço do Norte, Campos Novos, Capinzal, Ouro, Jaraguá do Sul, Mafra, São Joaquim, Tangará, Rio do Sul e de Santa Catarina.

                   Em 1973, foi eleito presidente da Cobec – Companhia Brasileira de Entrepostos Comerciais, organizada com a associação do Banco do Brasil que detinha a maioria das ações e 45 bancos privados, que operavam em câmbio, cargo em que permaneceu até 1977, ao completar seu segundo mandato, renunciando ao convite do Ministro Mário Henrique Simonsen para retornar à iniciativa privada. Neste período, foi eleito também presidente do Board of Directors, respectivamente, da Cobec – Brazilian Trading & Ware Hause Corporation of the USA, em Nova Iorque, Cobec In – Und. Export GMBH em Hamburgo, Cobec UK Limited, em Londres, e Cobec – Rotterdam BV, em Rotterdam. Implantou entrepostos e escritórios no país e em Nova Iorque, São Francisco da Califórnia, Caracas, Buenos Aires, Ilhas Canárias, Londres, Paris, Madrid, Hamburgo, Panamá e Havre (França). Foi também membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Exportadores e do Conselho da Associação Comercial no Rio de Janeiro.

                   Eleito membro do Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal em 1974 exerceu essas funções até 1976, ao lado de dois outros ilustres homens públicos Otávio Gouveia de Bulhões e Osvaldo Pieruccetti (ex-Ministro da Fazenda e ex-Prefeito de Belo Horizonte, respectivamente).

                   Em 1976, foi Vice-Presidente da TV Coligadas de Blumenau, a época coligada a TV Globo, hoje ocupada pela RBS. Foi fundador da Palmas Ltda. que iniciou o planejamento e construção da atual Praia de Palmas. No ano seguinte foi Vice-Presidente do Grupo Atlântica-Boavista Seguros, permanecendo neste posto até a fusão da empresa com a Bradesco Seguros, da qual foi Vice-Presidente até 1980 à 1996 licenciando-se por um período em 1982, para exercer as funções de Presidente da Codesc, a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina,  a época holding do sistema financeiro do Estado. Antes disso, em 1979, integrou o Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial do Rio de janeiro. Neste período foi sócio e Diretor da Santa Clara Veículos Ltda., concessionária da Chevrolet em Blumenau, e da Santa Rita, concessionária da Fiat em São José. Sócio também da Fábrica de Telhas Capivari de Baixo. Fundou em 1986 o Clube dos Gourmets de Florianópolis, que é até hoje uma referência brilhante e vitoriosa da gastronomia da grande Florianópolis.

                   Foi membro dos seguintes Conselhos de Administração: Santivest – Santa Catarina Empreendimentos e Participações S/A; Eletromotores WEG S/A; Procape – Programa Especial de Apoio à Capitalização das Empresas; Codesul – Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul; Conselho de Processamento de Dados; Conselho de Política Financeira; foi representante de Santa Catarina na Sudesul – Superintendência de Desenvolvimento da Região Sul e Cônsul Honorário do Chile em Florianópolis/SC.

                    Integrou, até 2008, no escritório “Bornhausen, Amarante e Zimmer Advogados”, onde exerceu a profissão de advogado.

                   Em 2011, foi eleito Conselheiro do BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento Econômico.

         Atualmente é Sócio da “Bornhausen & Palma Advogados Associados” e da BPM Assessoria Empresarial Ltda, e também trabalha como Consultor da Engevix Engenharia S/A..

                        Há algum tempo dedicou-se as artes literárias, escreveu “Retrato Político de uma Época 1954-1960” e “Retrato Político de uma Época 1960-1982”, “Pesquisas e Arquivos Políticos do PKB” e “Banco do Brasil dos meus tempos”, e dois outros de receitas culinárias e roteiros gastronômicos “Receitas de um Chef Amador” e as “Novas Descobertas do Chef Amador.
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terça-feira, 15 de abril de 2014

O MISTÉRIO DEPOIS DA MORTE de Paulo Konder Bornhausen.


O MISTÉRIO DEPOIS DA MORTE

Paulo Konder Bornhausen.



Nos corredores do INCOR, de onde venho de São Paulo, onde visitei meu irmão Jorge, assisti cenas que revelam as contradições da vida. Cenas contundentes e paradóxas.

No desfile de macas, dos enfermos, uns indo, outros voltando das cirurgias. Sorrisos e lágrimas de alegria, soluços e choros de tristeza dos acompanhantes ansiosos na sala de espera, junto aos quartos dos pacientes. Senti como estava certo Balsac; “que o homem se mostra muito forte quando confessa sua própria fraqueza”.

Já havia assistido um espetáculo deprimente das filas do SUS em que somente um dos andares do INCOR acolhe os clientes dos planos de saúde. Fiquei abalado e perplexo.

Nascemos, fomos criados, estudamos e ficamos sabedores de que tudo tem um começo, um meio e um fim.

Vivemos, a juventude, a média, a maior idade e pouco nos preparamos para o nosso inevitável, fatal, fim.

São tantos os problemas que enfrentamos, bem como os prazeres dos divertimentos. São tantas alegrias e tristezas que não há tempo para enxergarmos e nos preocuparmos com o fim, salvo a ocorrência de uma doença grave ou a perda de um ente querido. Ainda assim, logo nos esquecemos do inevitável fim. Mesmo crentes, católicos como eu, consciente de que ele existe, sobre ele só refletimos nos atos religiosos, alguns nas suas orações, mas não nos concentramos como deveríamos fazer. Talvez até seja pela vontade Divina de nos poupar, de um tormento permanente.

Somente os octogenários como hoje sou, quando Deus na sua infinita bondade prolongou nossas vidas por muito tempo é que não nos sai da mente a proximidade do fim e o nosso destino, o destino das nossas almas.

Não sei se foi o Criador que nos legou mais vida para que ainda aqui na terra pagássemos os nossos pecados, a verdade é que o fim, que chamamos de morte, está presente com constância nas nossas mentes, principalmente nos momentos de solidão que a idade nos impõe e ou por momentos como esses que acabo de presenciar.

Rezamos, pelo menos no meu caso, ainda sabendo, não o suficiente. Pedimos perdão pelos pecados cometidos, mas sempre lhe imploramos para retardar o nosso fim enquanto tivermos vigor mental e físico. E por que será este medo? Por que será temos essa fraqueza incontrolável? Simplesmente nossas limitações humanas, nos impedem de conhecer o depois do fim, o mistério do que vem depois da morte e aí chegamos a conclusão de que a vida é a maior graça que Deus nos concedeu e por ela devemos agradecer-lhe diariamente. Viver intensamente é a grande solução, enquanto Deus nos conceder essa graça, temos que aproveitar, pois com todos os seus percalços e soluços, ninguém deve desperdiçar um segundo desta maravilha que é a VIDA, já que a morte é inevitável. Por isso também me conformei, se tudo para nós seres humanos é incerto, por que devemos temer alguma coisa?

Deixar de pensar na morte é uma necessidade vital, e por isso mesmo até os enfermos de mente sã se agarram as tábuas de salvação, no mais revolto dos mares de suas vidas.

Viver neste caso é resistir o confronto com o mistério que jamais decifraremos.

Resta-nos a fé e para isso não devemos procurar compreender para acreditar, mas sim acreditar para compreender. Como dizia Mahatma Gandhi; “A vida é um mistério, que precisamos viver e não um problema para resolver”.

Deus decide e pronto.

quarta-feira, 12 de março de 2014

"Só para refrescar a memória!" de Paulo Konder Bornhausen



COMENTÁRIOS SOBRE O PLANO REAL EM 1994

Lula
“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).

“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

Guido Mantega

“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).

Marco Aurélio Garcia

“O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).

Gilberto Carvalho

“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Aloizio Mercadante

“O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados

“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

Maria da Conceição Tavares

“O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

segunda-feira, 10 de março de 2014

"O PT (Dilma) antes e depois da posse" de Paulo Konder Bornhausen



"O PT (Dilma) antes e depois da posse"
Paulo Konder Bornhausen
ANTES DA POSSE

O nosso partido cumpre o que promete. Só os tolos podem crer que não lutaremos contra a corrupção. Porque, se há algo certo para nós, é que a honestidade e a transparência são fundamentais para alcançar os nossos ideais. Mostraremos que é uma grande estupidez crer que as máfias continuarão no governo, como sempre. Asseguramos, sem dúvida, que a justiça social será o alvo da nossa ação. Apesar disso, há idiotas que imaginam que se possa governar com as manchas da velha política. Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que se termine com os marajás  e as negociatas. Não permitiremos de nenhum modo que as nossas crianças morram de fome. Cumpriremos os nossos propósitos, mesmo que os recursos econômicos do país se esgotem. Exerceremos o poder até que compreendam que somos a nova politica.

DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA, linha a linha.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Reflexões sobre a vida e o mistério do fim Paulo Konder Bornhausen


Reflexões sobre a vida e o mistério do fim

Nascemos, fomos criados, estudamos e ficamos sabedores de que tudo tem um começo, um meio e um fim.

Vivemos, a juventude, a média, a maior idade e pouco nos preparamos para o inevitável, fatal, fim.

São tantos os problemas que enfrentamos, bem como os prazeres dos divertimentos. São tantas alegrias e tristezas que não há tempo para enxergarmos e nos preocuparmos com o fim, salvo a ocorrência de uma doença grave ou a perda de um ente querido. Ainda assim, logo nos esquecemos do inevitável fim.

Mesmo crentes, católicos como eu, consciente de que ele existe, sobre ele só refletimos nos atos religiosos, alguns nas suas orações, mas não nos concentramos como deveríamos fazer. Talvez até seja pela vontade Divina de nos poupar, de um tormento permanente.

Somente os octogenários como hoje sou, quando Deus na sua infinita bondade prolongou nossas vidas por muito tempo é que não nos sai da mente a proximidade do fim.

Não sei se foi o Criador que nos legou mais vida para que ainda aqui na terra pagássemos os nossos pecados, a verdade é que o fim, que chamamos de morte, está presente com constância nas nossas mentes, principalmente nos momentos de solidão que a idade nos impõe.

Rezamos, pelo menos no meu caso, ainda não o suficiente. Pedimos perdão pelos pecados cometidos, mas sempre lhe imploramos para retardar o nosso fim enquanto tivermos vigor mental e físico. E porque será este medo? Porque simplesmente nossas limitações humanas nos impedem de conhecer o depois do fim, o mistério do que vem depois da morte e aí chegamos a conclusão de que a vida é a maior graça que Deus nos concedeu e por ela devemos agradecer-lhe diariamente. Viver intensamente é a grande solução, pois com todos os seus percalços e soluços, ninguém deve desperdiçar um segundo desta maravilha que é a VIDA.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Amor... Amor... Amor! de Paulo Konder Bornhausen


Amor... Amor... Amor!

Paulo Konder Bornhausen



Nada é comparável nesta vida ao Amor. Amor a Deus, as pessoas, aos animais, a natureza e até coisas materiais.

O Amor é o sentimento mais sublime do ser humano.

O Amor é a fonte da felicidade.

Sem Amor não há vida .

Assim pensando, achei de bom alvitre procurar nas palavras de pessoas conhecidas, famosas ou ilustradas, sem distinção de classe, cor ou religião, listar alguns conceitos, interpretações, citações sobre o tema do Amor entre mulheres e homens.

Selecionei alguns poucos que julguei, pudesse avaliar seus pensamentos, sobre este sentimento mágico que é o Amor, palavra mais usual na nossa linguagem, quiçás no mundo inteiro.

Então, vejamos;

Jorge Amado (escritor) – “O Amor é a própria vida e é o melhor da vida”.

Dollores Duran (cantora e compositora) – “Tem amor de raça e amor vira-lata/ Amor com champagne, amor com cachaça/ Amor nos iates, nos bancos de praça/ Tem homem que briga pela bem-amada/ Tem mulher maluca que atura porrada”.

Carlos Drummond de Andrade (escritor e poeta) – “Querida, mando-te/ uma tartaruguinha de presente/ e principalmente de futuro/ pois viverá uma riqueza de anos/ e quando eu haja tomado a estígia barca/ rumo ao país obscuro/ ela te lembrará no chão do quarto/ e te dirá em sua muda língua/ que o tempo, o tempo é simples ruga/ na carapaça, não no fundo Amor”.

Admiram Barbosa (compositor e cantor) – “Com a corda mil/ do meu cavaquinho/ fiz uma aliança prá ela/ prova de meu Amor e carinho”.

Carson McCullers (escritor norte-americano) – “A mais medíocre das pessoas pode ser objeto de um Amor selvagem, extravagante e belo como os lírios envenenados do pântano”.

Carlota Joaquina (esposa de Dom João VI) – “Vê se queres alguma coisa de mim, porque estou prontíssima para tudo. Por Amor faço tudo o que for do teu agrado, porque sou tua”.

Clarice Lispector (escritora) – “Amor não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera”.

Anatole France (escritor francês) – “A mulher se alimenta de Amor e carícias como a abelha das flores”.

Giacomo Leopardi (ensaísta italiano) – “Quando um homem concebe o Amor, o mundo inteiro se dissipa aos seus olhos, ele não vê nada além do ser amado”.

Stendhal (escritor francês) – “Em Amor, possuir não é nada, gozar é tudo...”.

Patativa de Assaré (poeta cearense) – “Há dor que mata a pessoa/ sem dó nem piedade/ porém não há dor que doa mais do que o Amor e sua saudade”.

Paulo Leminski Filho (poeta curitibano) – “O Amor é um elo/ entre o azul/ e o amarelo”.

Cazuza (cantor e compositor) – “É pelo beijo que o Amor começa”.

Alberto de Oliveira (poeta fluminense) – “Porque eu acho que não te esqueci? Acho que o Amor persiste, pois me sinto e sonho sempre contigo”.

Hélio Pellegrino (poeta) – “A vida é boa, o Amor insiste/ a carne é alegre, o tempo é triste”.

Baden Powell (violinista e compositor) – “O Amor é a melhor maneira de ser feliz e contribuir para a felicidade dos outros”.

Termino, citando novamente Carlos Drummond de Andrade (escritor e poeta) – “E o Amor sempre nessa toada/ briga perdoa, perdoa e briga/ Não se deve xingar na vida/ a gente vive depois esquece/ só o Amor volta para brigar/ para perdoar”.

Seria interminável minha, ainda que reduzida pesquisa, pois o Amor não tem fim.

Quem amou uma vez, pode amar duas vezes ou várias vezes, pois como disse no inicio, sem Amor não há vida.

O Amor é o todo maior da existência humana.

Não falo de fazer amor, um dia, uma noite ou em várias oportunidades, ainda que possa representar um sentimento de Amor frustrado, reprimido e até impossível.

Falo sim, do Amor completo, consolidado, verdadeiro, em que o ser que ama também é amado.

Salve o Amor!